Recentemente, durante uma diligência pericial em um edifício, subi até a cobertura para analisar os pontos de ancoragens.
A vista de Curitiba era muito bonita.
Mas o que realmente chamou muito mais a minha atenção foi outro detalhe: na borda da laje não existiam pontos de ancoragem destinados à realização de manutenção em altura.
Em outras palavras, não havia nenhum sistema adequado que permitisse a fixação segura de trabalhadores para atividades como limpeza de fachada, inspeções ou manutenções externas da edificação.
À primeira vista, para quem não é da área técnica, aquilo pode até parecer um ponto de segurança.
Mas na prática não é.
Quando falamos de trabalho em altura, essa diferença pode representar um risco extremamente grave para quem executa manutenção, limpeza ou inspeção de fachadas.
Infelizmente, situações como essa ainda são encontradas em diversas edificações.
E é exatamente por isso que inspeções técnicas especializadas são fundamentais: para identificar riscos que muitas vezes passam despercebidos no dia a dia do condomínio.
Porque, em engenharia, segurança não pode ser baseada em improvisos.
Ela precisa ser projetada, calculada e executada corretamente.
E é justamente para evitar esse tipo de situação que existe a NR-18.
A norma estabelece critérios claros para sistemas de ancoragem utilizados em trabalhos em altura. Entre eles, o item 18.15.56.2 determina que os pontos de ancoragem devem ser distribuídos de forma a atender todo o perímetro da edificação.
Ou seja: não basta instalar um ponto isolado na cobertura. É necessário garantir que o trabalhador consiga se movimentar com segurança ao longo de toda a fachada.
Outro ponto importante é o material utilizado nesses dispositivos.
Como ficam permanentemente expostos ao clima — chuva, sol, vento e umidade — os pontos de ancoragem devem ser fabricados com materiais resistentes às intempéries, como aço inoxidável ou equivalentes.
Infelizmente, ainda é comum encontrar improvisações em algumas edificações: barras de aço comuns, estruturas adaptadas ou até ausência completa de sistema de ancoragem.
O problema é que, com o tempo, esses materiais podem sofrer corrosão ou perda de resistência, comprometendo a segurança do sistema.
E quando falamos de trabalho em altura, segurança nunca pode ser improvisada.
Por isso, cada vez mais edifícios estão passando por avaliações técnicas especializadas, que verificam:
- a existência de pontos de ancoragem
- a distribuição ao longo da cobertura
- a conformidade com as normas técnicas
- o estado de conservação do sistema.
Muitas vezes, pequenos ajustes ou a instalação correta desses dispositivos podem eliminar riscos significativos e garantir a segurança de quem trabalha na edificação.
Porque no final das contas, aquele pequeno detalhe metálico fixado na laje não é apenas um item técnico.
Ele pode ser a diferença entre um trabalho seguro e um acidente grave.
E na engenharia, quando falamos de segurança, detalhes nunca são apenas detalhes.
Marcelo A G Vallero




